Defesa Animal

Onca protesta pela não comercialização de animais e a favor da adoção responsável em Curitiba (PR)

Pelo terceiro ano consecutivo o grupo faz protesto na feira de filhotes da Honjo

Por: Camila Carbornar/Onca-PR

 

As faixas chamam atenção para a causa.

No sábado, 07/12, os integrantes do grupo Onca estiveram a partir das 10h no bairro Cabral, em Curitiba (PR), para seguirem juntos à loja Honjo, tradicional loja da cidade. Tão tradicional quando a sua existência é a sua prática de comercializar animais. Todos os sábados criadores de cachorros levam filhotes para serem expostos e vendidos. O protesto do grupo manifestou a posição contrária à comercialização de animais e a favor da adoção responsável. Essa época foi escolhida para o protesto porque a época do Natal é quando muitos pais pensam em comprar um animal como “brinquedo” ou entretenimento para seus filhos.

O grupo estendeu faixas com os dizeres “Não compre, adote!”, “Animal não é produto”, “Os animais não existem para o nosso uso” e “Respeito aos animais”. O ponto que nesse caso se coloca sobre respeito aos animais não é somente o tratamento dado aos mesmos, mas também a visão que se tem dos animais e a relação que é tida com eles. Apesar de, na Honjo, veterinários verificarem as condições dos animais, não se pode considerar que os animais são bem tratados quando os mesmos estão engaiolados. Nos protestos dos anos anteriores, que se estenderam até o final da tarde, o cansaço dos animais era visível. E se os animais estão engaiolados e são expostos para venda, é clara a visão que se tem deles – são produtos. Não se escolhe um companheiro pela cor, pelo porte, pelo tamanho do pelo, não se compra um companheiro. É por isso que, ao comprar um cachorro, não se compra um companheiro – se compra um brinquedo, um status, e a relação já se inicia na condição desfavorável ao animal, o tendo como um produto que, como todo produto, pode ser descartado.

Integrantes do grupo conversam com o senhor que insistia em comprar um Fox Paulistinha para a neta.

Além da exibição das faixas, os integrantes distribuíram panfletos informativos sobre a comercialização de animais, questionando a vida que os animais de criadouros têm e com dados que mostram a enorme quantidade de animais abandonados. Um termo decorrente da criação de filhotes é “fêmea matriz”, que designa a cachorra utilizada para reprodução de animais. Toda a sua vida gira em torno da sua capacidade de reproduzir mais filhotes, para que os mesmos sejam vendidos e, assim, seja conseguido mais dinheiro. Quando essa sua utilidade acaba, ou seja, quando ela não é mais capaz de reproduzir filhotes, devido à inúmeros fatores, sendo um deles idade avançada, ela geralmente é descartada.

Somente em Curitiba, 15 mil cães vivem nas ruas em total abandono e sem qualquer assistência (isso sem contabilizar animais na região metropolitana, cães semi-domiciliados, gatos e outros animais domésticos), segundo dados oficiais da Prefeitura Municipal de Curitiba. Como todo animal, esses cachorros demonstram interesse em viver e em viver bem, em condições de correr, brincar e se alimentar. Nas ruas, são muitos os riscos da atingir a integridade dos animais, como riscos de atropelamento. Se fala em adoção para dar uma vida melhor à esses animais. Em casas, porém, tais condições bem estar só serão garantidas com a guarda responsável, que tem como um dos quesitos não mantar o animal em coleira.

Os animais, vistos como mercadorias, são expostos para venda.

Enquanto criadouros e criadores continuam reproduzindo animais para fins de lucro, esse número não vai diminuir – seja porque os filhotes (como todo produto) têm “prazo de validade”, sendo descartados (mortos, jogados nas ruas ou dados de presente para alguém que poderia adotar uma animal de rua), seja porque a pessoa que compra animal deixa de adotar um. A ação do Onca foi dialogar com as pessoas interessadas em um animal, orientando para que elas não comprem, mas que adotem de forma responsável um animal que vive nas ruas ou em abrigos públicos ou de entidades protetoras.

Muitas pessoas apoiaram o protesto, manifestando opinião similar ao grupo. O protesto teve fim às 13h30. Para ter mais informações sobre a realidade da comercialização de animais, clique aqui. Para ver mais fotos do protesto, clique aqui.

Na cidade, em todos os domingos há evento de adoção de cachorros e gatos, resgatados da raus e tratados por protetoras, próximo à rotatória do MON, no Petshop Fofuras. Animais também estão disponíveis para adoção na Sociedade Protetora dos Animais em Curitiba e através dos sites Adote Bicho e Cãopanheiro.

 

 

Saiba mais:
http://www.onca.net.br/lojas

 

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