Defesa Animal

Impacto da pesca

à vida animal, ao meio ambiente, à saúde humana e ao meio social

 

Coletânea de citações


compilação: Onca
Janeiro/2013

 

 

 

1. Vida animal
1.1. Peixes
1.2. Crustáceos e moluscos

2. Meio ambiente

3. Saúde humana

4. Meio social

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1. VIDA ANIMAL:

1.1. PEIXES:

 

“Os répteis e os peixes possuem sistema nervoso diferente dos mamíferos em alguns aspectos importantes, mas compartilham a estrutura básica de organização de vias nervosas centrais. Peixes e répteis demonstram a maior parte do comportamento de dor dos mamíferos. Na maioria das espécies há, inclusive, vocalização, embora não seja audível para nossos ouvidos.”
(Peter Singer, professor de Bioética na Universidade de Princeton, Estados Unidos; ‘Libertação Animal’; Editora Lugano; 2004; p. 195.)

 

“O que leva o ser humano a sentir sensações e emoções como frio, ansiedade, dor e medo é seu sistemanervoso. Os peixes, assim como nós e outros animais, também possuem sistema nervoso. O sistema nervoso dos peixes inclui cérebro e órgãos dos sentidos: olhos, boca, ouvidos, narinas e linha lateral. Logo, peixes possuem a capacidade de sentir, similar a qualquer outro animal vertebrado!”

(informativo Projeto Abate Humanitário de Peixes; Conselho Regional de Medicina Veterinária do Paraná (CRMV-PR) / Laboratório de Bem-Estar Animal (LABEA-UFPR); 2005.)

 

“A morte de um peixe pescado pelos métodos comerciais é muito mais demorada do que a morte, digamos, de uma galinha, pois o peixe é simplesmente puxado para o ar e deixado à morte. Como suas guelras podem extrair oxigênio da água, mas não do ar, o peixe fora da água não consegue respirar. O peixe à venda no supermercado pode ter morrido lentamente, de sufocação; se for um peixe de águas marinhas profundas, içado à superfície pela rede de uma traineira, pode ter tido uma morte dolorosa, por descompressão.”
(Peter Singer, professor de Bioética na Universidade de Princeton, Estados Unidos; ‘Libertação Animal’; Editora Lugano; 2004; p. 196.)

 

 

“Experiência clínica direta e pesquisas científicas levaram [especialistas que trabalham com peixes] a compreender que esses animais sentem dor.”

(Thelma Lee Gross, veterinária; ‘Scientific and Moral Consideration for Live Animal Practice’; Journal of the American Veterinary Medical Association; Fevereiro de 2003.
-citado em: ‘Jaulas Vazias’; Tom Regan; Editora Lugano; 2006; p. 74.)

 

“A morte por sufocação [do peixe] pode levar horas.”
(Carla Molento, professora e coordenadora do Laboratório de Bem-estar Animal da Universidade Federal do Paraná; informativo do Conselho Regional de Medicina Veterinária da Paraná (CRM-PR); abril de 2006.)

 

“Em 1976, a British Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA) [Real Sociedade Britânica para a Prevenção da Crueldade com os Animais] constituiu um grupo independente para investigar a caça e a pesca. A equipe foi coordenada por Lord Medway, um proeminente zoólogo, e dela fizeram parte especialistas de fora da RSPCA. A investigação examinou, em detalhes, as evidências de que os peixes sentem dor e concluíram, inequivocadamente, que essas evidências são tão fortes quanto as apresentadas em relação a outros animais vertebrados.”
(Peter Singer, professor de Bioética na Universidade de Princeton, Estados Unidos; ‘Libertação Animal’; Editora Lugano; 2004; p. 195.
-o relatório é ‘Report of the Panel of Enquiry into Shooting and Angling’, publicado pelo comitê em 1980 e disponível na Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals, RSPCA (Reino Unido); parágrafos 15-57.)

 

“Deveríamos dizer que todos os vertebrados, incluindo os peixes, têm uma psicologia? A base para se incluir os peixes não é fraca, de maneira nenhuma. Como os humanos, os peixes têm a fisiologia, a anatomia, o cérebro e a medula espinhal complexos. Além disso, eles têm terminações nervosas altamente desenvolvidas perto da superfície de seus corpos, especialmente perto da boca.”
(Tom Regan, professor de Filosofia na Universidade da Carolina do Norte, Estados Unidos; ‘Jaulas Vazias’; Editora Lugano; 2006; p. 74.)

 

“Especialistas mostraram que peixes que vivem em grupos estáveis (“famílias”) se reconhecem uns aos outros, pela visão ou pelo som. Eles podem se lembrar de como membros da mesma espécie se comportaram no passado e alterar o próprio comportamento de acordo com o deles.”
(Tom Regan, professor de Filosofia na Universidade da Carolina do Norte, Estados Unidos; ‘Jaulas Vazias’; Editora Lugano; 2006; p. 74.)

 

“Novos estudos mostram que cães, insetos e até peixes conseguem se comunicar. [...]
Memória:
Quando o estúdio Pixar colocou no filme Procurando Nemo uma peixinha que esquecia tudo em poucos segundos, estava brincando com uma idéia que por muito tempo existiu na comunidade científica: peixes teriam memória de apenas três segundos. Estudos recentes mostram que isso é balela. Esses animais são capazes de lembrar e ainda guardam as informações a longo prazo. Foi o que comprovou o pesquisador Culum Brown. Ele prendeu um grupo de peixes arco-íris australianos num tanque e os treinou para encontrar uma saída. Após cinco tentativas, todos conseguiam achá-la. Onze meses depois, o pesquisador refez o teste. Dessa vez, os peixes localizaram a saída na primeira tentativa.
Graças à memória, peixes também reconhecem outros indivíduos. Ao presenciar uma luta, o animal não apenas retém informações, como cria um ranking de lutadores. No futuro, ele evitará brigas com os fortões. Cardumes também são capazes de aprender e memorizar a se desvencilhar de redes ou então viajar em formações que os protegem de predadores.”
(‘Inteligência Animal’; Giovana Girardi; Superinteressante; edição 209; janeiro de 2005.)

 

“Cientistas dizem que os peixes sentem dor. Animais têm sensores semelhantes aos dos humanos. [...]
A descoberta complementa estudos anteriores, que revelaram que pássaros e mamíferos podem sentir dor, e questiona teorias a respeito da ausência de percepção de dor nos peixes. Os cientistas encontraram áreas na cabeça das trutas que responderam a estímulos destrutivos. Eles também descobriram que os peixes apresentaram determinadas reações quando expostos a substâncias nocivas.
A pesquisa, feita por uma equipe do Instituto Roslin em parceria com a Universidade de Edimburgo, foi publicada na revista científica Proceedings da Royal Society, a academia britânica de ciência. Os pesquisadores, liderados pela doutora Lynne Sneddon, dizem que “profundas mudanças comportamentais e fisiológicas” apresentadas pela truta após exposição a substâncias nocivas são comparáveis àquelas observadas em mamíferos. [...]
“Encontramos 58 receptores na face e na cabeça da truta que responderam a pelo menos um estímulo”, disse Sneddon. [...] Os receptores sensíveis a estímulos químicos encontrados nos peixes se assemelham aos presentes em anfíbios, pássaros e mamíferos, incluindo humanos.”
(‘Cientistas Dizem Que os Peixes Sentem Dor’; BBC Brasil; 30 de abril de 2003; www.bbc.co.uk/portuguese.)

 

 

 

1.2. CRUSTÁCEOS E MOLUSCOS:

 

“Contrariamente ao que pesquisadores pensavam, camarões e outros crustáceos sentem dor, indica um estudo científico britânico. Há dois anos, pesquisadores noruegueses chegaram à conclusão de que isto seria impossível, pois os sistemas nervosos dos crustáceos não eram complexos o suficiente.
No entanto, uma pesquisa publicada na última edição da revista New Scientist, contraria estas conclusões e afirma que estes animais também sentem dor. Um grupo de cientistas liderado por Robert Elwood, especialista em comportamento animal da Queen’s University de Belfast (na Irlanda do Norte), jogou ácido acético (do vinagre) em parte das antenas de 144 camarões.
Imediatamente, as criaturas começaram a esfregar as antenas afetadas, mas não as demais, o que, segundo Elwood, “é consistente com a interpretação da experiência de dor”. Os cientistas consideram que lagostas, caranguejos e outros crustáceos compartilham com toda probabilidade desta sensibilidade a dor.
Segundo Elwood, o fato de sentir dor é crucial inclusive para os animais mais primitivos, pois permite que mudem de comportamento após uma experiência negativa e aumenta suas chances de sobrevivência.”
(‘Estudo Britânico Afirma Que Crustáceos Sentem Dor’; Terra, 08 de novembro de 2007.)

 

 

“[...] Dr. John Baker, um zoólogo da Universidade de Oxford e membro da RSPCA [Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals], declarou [sobre os crustáceos -lagostas, caranguejos, camarões, pitus, etc.] que seus órgãos sensoriais são altamente desenvolvidos, seu sistema nervoso complexo, suas células nervosas muito semelhantes às nossas e suas reações a certos estímulos imediatas e vigorosas. O Dr. Baker, portanto, acredita que a lagosta, por exemplo, pode sentir dor. Também é claro quanto ao método tradicional de matar as lagostas -jogá-las num caldeirão de água fervente: esse método causa-lhes dor… [...] Se os crustáceos podem sofrer, deve haver um grande sofrimento envolvido, não apenas no método pelo qual são mortos, mas também na maneira como são transportados e mantidos vivos nos mercados.”

(Peter Singer, professor de Bioética na Universidade de Princeton, Estados Unidos; ‘Libertação Animal’; Editora Lugano; 2004; p. 197.)

 

 

“Uma pesquisa recente mostra que caranguejos sentem dor quando são escaldados ainda vivos. O professor Robert W. Elwood da Queen’s University Belfast (QUB) na Irlanda do Norte disse que o trabalho evidenciou a necessidade de olhar mais profundamente para o tratamento dado aos crustáceos na indústria alimentar. Os resultados do estudo foram publicados recentemente na revista Animal Behavior.
Os co-autores do artigo, o professor Elwood e Mirjam a convite da Faculdade de Ciências Biológicas no QUB, estudaram as reações dos crustáceos quando eram emitidos pequenos choques elétricos aos animais. Ao receber os impulsos, os caranguejos passaram a se mexer mais rapidamente, o que indica que a experiência foi desagradável. De acordo com os pesquisadores, os resultados mostram que ocorre um processamento central neural e que esta resposta não é um simples reflexo.
“Houve um amplo debate para determinar se crustáceos, incluindo caranguejos, camarões e lagostas sentem dor”, disse o Professor Elwood. “Sabemos que a partir de pesquisas anteriores que possam detectar estímulos nocivos, mas poderia ser um simples reflexo sem ‘sensação de desconforto que associam a dor”, acrescenta.
“Essa pesquisa mostra que este não é um simples reflexo. Este tipo de acontecimento é também encontrado nos vertebrados, em que a resposta à dor é medido por outros critérios.” [...]
Na pesquisa anterior, o Professor Elwood verificou que, quando uma quantidade de ácido acético foi aplicada a camarões, os animais apresentavam episódios prolongados de irritação, mas estas reações foram reduzidas com o uso de um anestésico local. “Os resultados reforçam a idéia de que esses animais realmente sentem dor.”
Crustáceos não são tão protegidos pelas pessoas, pois ainda existe o mito de que não sentem dor.”
(‘Estudo Europeu Comprova que Caranguejos e Outros Crustáceos Sentem Dor’; Vida Vegetariana; 30 de abril de 2009; www.vidavegetariana.com.)

 

 

“A maioria dos cientistas concorda que o sistema nervoso de uma lagosta é bastante sofisticado. Por exemplo, o neurobiologista Tom Abrams diz que lagostas têm “um completo conjunto de sentidos”. Jelle Atema, biólogo marinho do Marine Biological Laboratory, em Woods Hole, Massachusetts, e um dos maiores especialistas em lagostas do país, disse: “pessoalmente acredito que elas sentem dor.”.”

(‘Lobsters Are Fascinating Animals’; Lobster Liberation, 2009.)

 

 

“Experimentos com… caranguejos demonstram a sua capacidade notável para aprender e memorizar características visuais.”

(D. Tomsic, M. Beron de Astrada, e J. Sztarker; ‘Identification of Individual Neurons Reflecting Short -and Long- Term Visual Memory in an Arthropodo,’; Journal of Neuroscience; 17 de setembro de 2003.
-citado em ‘The Captivating Lives Of Crabs’; Fishing Hurts.)

 

 

“Lagostas são criaturas notáveis, sofisticadas.”
(Jelle Atema, biólogo marinho, do Marine Biological Laboratory, em Massachusetts, Estados Unidos; ‘The Captivating Lives Of Crabs’; Fishing Hurts; 2009.)

 

“A ostra não tem olhos, ouvidos ou nariz, de modo que não pode ver, ouvir ou cheirar. No entanto, duas fileiras de diminutos sensores, localizados nos bordos do manto, reagem a certas modificações ambientais. [...] As alterações de luminosidade ou de composição química da água causam a contração dos sensores. A contração dos sensores dá o sinal para o poderoso músculo adutor fechar a concha, pois há algum perigo iminente.”
(‘Ostra’; Enciclopédia Delta Universal; Editora Delta; 1985; vol. 11; p. 5939.)

 

 

 

2. MEIO AMBIENTE:

 

“Estima-se que, a cada noite, cerca de 2.500 embarcações lancem nas águas mais de 80.000 km de redes de pesca e de malha de pesca, um equipamento equivalente para águas costeiras. A cada ano, centenas de quilômetros dessas redes ficam embaraçadas ou se perdem no mar, onde continuam a embrulhar incontáveis peixes e mamíferos marinhos.
Essas redes não apenas dizimam populações inteiras dos peixes específicos, mas também removem dezenas de milhares de espécies indesejadas, dentre as quais golfinhos, tubarões, baleias, tartarugas marinhas e pássaros marinhos. A matança em larga escala dessas espécies não-desejadas prejudica seriamente muitos ecosistemas marinhos.”
(H. Steven Dashefsky, professor-adjunto de Ciência Ambiental no Marymount College em Tarrytown, Nova York, Estados Unidos; ‘Redes de Pesca’; Dicionário de Ciência Ambiental; Editora Gaia; 1997; p. 239.)

 

 

“Centenas de milhões de quilos de pesca indesejada são mortas anualmente. A pesca indesejada inclui golfinhos presos em redes de arrastão, tartarugas marinhas presas em redes de barcos de pesca de camarão e várias espécies de peixes e mamíferos presos em redes de pesca e malhas de pesca. Só em 1990, os barcos de pesca japoneses lançaram de volta ao oceano 39 milhões de peixes, 700.000 tubarões, 270.000 pássaros marinhos e 26.000 mamíferos, a maioria dos quais mortos ou morrendo; todos considerados pesca indesejada.”
(H. Steven Dashefsky, professor-adjunto de Ciência Ambiental no Marymount College em Tarrytown, Nova York, Estados Unidos; ‘Pesca Indesejada’; Dicionário de Ciência Ambiental; Editora Gaia; 1997; p. 204.)

 

“As espécies não comercializáveis -conhecidas na indústria como “lixo”- podem chegar até a metade de tudo o que é pescado. Seus corpos são jogados pela borda afora.”
(Peter Singer, professor de Bioética na Universidade de Princeton, Estados Unidos; ‘Libertação Animal’; Editora Lugano; 2004; p. 195.)

 

“A necessidade de atender a exigências do mercado leva ao desperdício. No México, três em cada dez peixes fisgados com espinhel – linhas de pesca com milhares de anzóis – são devolvidos ao mar por terem pouco valor comercial. A maioria morre sufocada antes de chegar à água. Estima-se que 40 milhões de tubarões sejam capturados todo ano apenas para a retirada das barbatanas, ingrediente apreciado em sopas no Japão.”
(‘O Fim da Pesca’; Veja, 18 de abril de 2007; Editora Abril.)

 

“Além da captura intencional, as redes são uma armadilha para grandes quantidades de peixes e outras formas de vida marinha não-cobiçadas. Essa captura não-intencional, chamada de pesca indesejada, é atirada de volta ao mar, mas nesse momento a maioria dos animais já estão mortos ou morrendo.
Durante a década de 50, os pescadores de atum descobriram que o atum de barbatana amarela era frequentemente encontrado sob os cardumes de golfinhos. (Acredita-se que o atum segue o golfinho por causa de sua maior habilidade em localizar alimentos.) Os barcos de atum usam rotineiramente a técnica de envolver o cardume de golfinhos com as redes de arrastão, mantendo o atum capturado por baixo. Os golfinhos geralmente morrem antes de serem libertados.”
(H. Steven Dashefsky, professor-adjunto de Ciência Ambiental no Marymount College em Tarrytown, Nova York, Estados Unidos; ‘Redes de Arrastão’; Dicionário de Ciência Ambiental; Editora Gaia; 1997; p. 238, 239.)

 

“Ao comprar uma lata de atum, lembre-se de que você está estimulando a matança indiscriminada de golfinhos – os bichos tidos como mais inteligentes depois do homem. O problema ocorre porque os atuns se concentram frequentemente sob cardumes de golfinhos, que acabam sendo apanhados pelas redes e arrastados para o fundo, onde morrem afogados. Lamentavelmente, às vezes morrem mais de cem golfinhos para que se possa pescar uma dúzia de atuns.”
(‘Como Defender a Ecologia’; Guias Práticos; Nova Cultura; 1998; p. 42.)

 

 

“Como os cardumes de atum e bandos de golfinhos costumam nadar juntos, os pescadores lançam as redes justamente onde encontram um número grande deles. O resultado é que os golfinhos, que não têm valor comercial, caem nas redes destinadas aos cardumes de atum. Calcula-se que todo ano mais de 1 milhão deles morram dessa forma no mundo inteiro.”
(‘O Protetor do Mar’; Veja; 15 de dezembro de 1999.)

 

“Os outros matadores de golfinhos… são os pescadores de tubarão que usam sua carne como isca. [...] Os golfinhos são acertados por arpão um a um, içados para o barco e retalhados em pequenos pedaços. Durante a captura de um golfinho, os outros membros do bando se atiram contra o barco num esforço desesperado para salvar o companheiro.”
(‘O Protetor do Mar’; Veja; 15 de dezembro de 1999.)

 

“A Organização de Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) estima que, se as frotas pesqueiras do mundo apanharem por ano mais de 100 milhões de toneladas métricas das espécies atualmente exploradas, estarão esgotando criticamente os cardumes. Os números da FAO sugerem que a pesca comercial aumentou cinco vezes desde a Segunda Guerra Mundial… [...] De acordo com esses números, a humanidade estaria se aproximando perigosamente dos níveis máximos de produção sustentável.
Na verdade, os níveis já foram superados, porque os números da FAO não incluem os peixes capturados por cerca de oito milhões de pescadores. Essa pesca não é registrada porque os peixes são consumidos pelas famílias dos pescadores ou comercializados nas próprias comunidades. Avalia-se que a pesca “artesanal” é responsável pela captura de cerca de 24 milhões de toneladas métricas de peixes por ano. Portanto, os mares do mundo já estão sendo explorados além de seu limite.”
(‘A Crise Mundial da Pesca’; Atlas do Meio Ambiente; WWF (Fundo Mundial para a Natureza); Editora Caras; 1997; p. 134.)

 

 

“Em alguns lugares, o estoque de peixes já entrou em colapso. No Mediterrâneo, doze espécies de tubarão estão comercialmente esgotadas. O estoque de atum reduziu-se a 10% do existente em meados do século passado. O bacalhau praticamente desapareceu do Mar do Norte. Em apenas quinze anos a produção de lagosta na costa brasileira caiu de 11.000 toneladas para 7.000 toneladas anuais.
As razões são as mesmas que abatem outras espécies marinhas mundo afora: a exploração predatória do recurso para atender à demanda comercial crescente. Nas últimas cinco décadas, a população mundial dobrou, mas o consumo de alimentos do mar quintuplicou. [...]
Uma possível solução para evitar a superexploração dos estoques de peixes é estabelecer cotas rígidas de pesca. A experiência, no entanto, mostra que limites de pesca ditados por tratados internacionais raramente são respeitados. A quantidade de atum-azul capturada todo ano no Mar Mediterrâneo é o dobro da permitida oficialmente.”
(‘O Fim da Pesca’; Veja, 18 de abril de 2007; Editora Abril.)

 

 

“A aquicultura, criação de peixes em lagoas e gaiolas costeiras, parece ser uma maneira mais prática de aumentar a produção. [...] No entanto, a criação dessas fazendas de peixes é uma das principais causas da destruição dos mangues, verdadeiros berçários para peixes selvagens.”
(‘A Crise Mundial da Pesca’; Atlas do Meio Ambiente; WWF (Fundo Mundial para a Natureza); Editora Caras; 1997; p. 135.)

 

 

“São necessários 10 quilos de peixes comuns para alimentar 1 quilo de atum.”
(Míriam Gasparin; jornalista, reportagem sobre a criação confinada de atuns; Band News; 16 de dezembro de 2008.)

 

 

 

3. SAÚDE HUMANA:

 

 

“Os peixes… são geralmente preferidos pelas pessoas que evitam o uso de bife ou as chamadas carnes vermelhas, na esperança de, por este meio, evitar os efeitos nocivos da carne. Esta idéia, entretanto, é errada, pois os peixes são mais prontamente sujeitos à decomposição do que qualquer forma de carne.”
(Alfons Balbach, médico especialista em Nutrologia; ‘A Carne E A Saúde’; 20ª edição; Editora Vida Plena; p. 70, 71.)

 

“Os peixes são de putrefação ainda mais rápida do que a carne dos animais terrestres; e, quanto aos crustáceos (camarões, lagosta, etc.), é bem conhecida a sua alta toxidade, devida, em grande parte, a serem animais que se alimentam de matéria putrefata. Quando a polícia marítima anda à procura do cadáver de algum afogado, muitas vezes o descobre pelo cardume de camarões que se ajunta para comer-lhe as carnes em decomposição.”
(Dieno Castanho, doutor em Filosofia Natural pelo College of Drugless Healing, Los Angeles, Estados Unidos; ‘Alimentação Naturista – Saúde e Longevidade’; Ed. Alvorada; 6ª edição; 1983; p. 30, 31.)

 

 

“Carnes e peixes são curados pela injeção ou pelo mergulho em soluções de nitrato (HNO3) e/ou nitrito (HNO 2)… [...] Esses compostos de N-nitroso podem aumentar o risco para câncer de estômago e também para alguns outros tipos de câncer, como do cólon.”
(‘Nitratos e Nitritos Podem Causar Câncer?’; NutriTotal; www.nutritotal.com.br.)

 

 

“Para conservar e conferir cor avermelhada a carnes e peixes é utilizado sulfito de sódio, substância com ação cancerígena. A quantidade permitida de tal aditivo é a de 50 ppm (partes por milhão), porém tal cifra é frequentemente ultrapassada, chegando, em algumas ocasiões, a valores até cem vezes maiores. ”
(‘Maus Hábitos Alimentares’; Paulo Eiró Gonsalves; Editora Ágora; p. 97.)

 

“Assim que sai da água, o peixe começa a sofrer alterações de ordem química, enzimática e bacteriana, deteriorando-se, portanto, com muita facilidade. A decomposição bacteriana torna-se mais acentuada quando a pesca é realizada em águas poluídas por esgotos e quando o produto é bastante manipulado pelo homem antes do consumo.
Embora muitas vezes não apresentem alterações visíveis, os peixes (assim como outros frutos do mar) provenientes de águas poluídas por esgoto podem transmitir ao homem hepatite infecciosa.
Em se tratando de poluição química (por poluentes industriais), poderão ocasionar graves envenenamento pela ação de mercúrio e pesticidas diversos. ”
(‘Maus Hábitos Alimentares’; Paulo Eiró Gonsalves; Editora Ágora; p. 98.)

 

 

 

4. MEIO SOCIAL:

 

 

“Infelizmente as mortes por redes de pesca não são nenhuma novidade. Desde 1983 acontece esse tipo de tragédia no Rio Grande do Sul, e a média é de 2 surfistas mortos por ano em redes de pesca. Essa marca é maior do que o número de pessoas que morrem em ataques de tubarão, na África!”
(‘Morte Por Redes de Pesca Atravessa Fronteiras’; Camera Surf; 29 de março de 2012; <http://camerasurf.com.br/noticia/20713>.)

 

 

“Munidos de pranchas de surf, um grupo de aproximadamente 100 surfistas e ambientalistas realizou, na tarde desta quarta-feira, um protesto na porta da Assembleia Legislativa para pedir o fim das redes de pesca no Litoral. [...]
— O movimento Onda Sem Rede cogita entrar ainda esta semana com uma ação judicial para suspender o uso das redes que matam surfistas em toda a costa gaúcha, para evitar que a omissão dos políticos continue fazendo vítimas — informou Nalu Machado, umas das organizadoras.
— Está na hora de se enfrentar e acabar com a hipocrisia de que essas redes são o ganha-pão de famílias pobres. Nosso litoral hoje vive é de turismo, e esse turismo está ameaçado pela continuidade da matança estúpida de nossos jovens pelas redes abandonadas ao longo da costa sem sinalização nem cuidado — enfatiza.”
(‘Surfistas e Ambientalistas Protestam Contra as Redes de Pesca’; Zero Hora; 10 de novembro de 2010; <http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Geral&newsID=a3104450.xml>.)

 

 

“Vítima fatal de artefatos ilegais de pesca instalados na praia de Coroados – PR enquanto surfava no dia 02 de fevereiro, Renata Turra Grechinski era psicóloga e aos 23 anos, menos de uma semana depois de sua formatura, foi arrancada da vida que tanto amava devido a praticas ilegais de pesca artesanal tão comuns em toda costa brasileira e que faz tantas vítimas todos os anos.
“Por essas mortes serem consideradas ‘afogamento’ não são registradas e nem investigadas as causas no Paraná, por isso não temos parâmetros e nem dados. Mas são mais comuns do que pensamos. Podemos pegar como exemplo dados do Rio Grande do Sul, onde segundo a ONG Mar Seguro 49 pessoas já foram vítimas assim como minha irmã”, conta a advogada Silva Turra Grechinski, irmã de Renata.”
(‘Movimento Surf Seguro’; Surfe Floripa; 04 de julho de 2012; <http://surfefloripa.wordpress.com/2012/07/04/surf-seguro/>.)

 

 

“A morte de José Vinicius Dinon (28) funcionário do Ministério Público Federal aconteceu na ultima terça-feira (15) durante uma pescaria entre amigos no Rio Jamary, distante cerca de 50 km de Porto Velho.
Segundo informações colhidas junto ao boletim de ocorrência, Dinon e mais dois amigos estavam mergulhando quando recebeu o disparo acidental e disse “Tu me acertou”. Depois de ferido o jovem foi socorrido, porém não resistiu aos ferimentos e foi a óbito.
Pai de família e formado em direito, o jovem era acostumado a esse tipo de aventura e quase todos os fins de semana saia para pescar junto com colegas e amigos.”
(‘Tragédia – Servidor do MPF morre com disparo de arpão durante pescaria’; RondôniaVip; 16 de novembro de 2011; <http://www.rondoniavip.com.br/noticia/tragedia-servidor-do-mpf-morre-com-disparo-de-arpao-durante-pescaria,policia,3358.html>.)

 

 

 

 

 
Sugestões para consulta:

 

“Os peixes: uma sensibilidade fora do alcance do pescador.”
Joan Dunayer; Les Cahiers Antispécistes; outubro/1991;
<http://www.cahiers-antispecistes.org/spip.php?article338>

 

“Caranguejos, lagostas e camarões.”
Animais Excepcionais; 2006;
<http://www.animaisexcepcionais.org/index.php?option=content&task=view&id=13>

 

“Do fishes have nociceptors? Evidence for the evolution of a vertebrate sensory system.”
Lynne U. Sneddon, Victoria A. Braithwaite e Michael J. Gentle; Roslin Institute;
The Royal Society; 30 de abril de 2003;
<http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1691351/pdf/12816648.pdf>

 

“Trout trauma puts anglers on the hook?”
The Royal Society; 30 de abril de 2003;
<http://royalsociety.org/News.aspx?id=1157&terms=fish+pain>

 

“Cientistas dizem que os peixes sentem dor.”
BBC Brasil; 30 de abril de 2003;
<http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/030430_peixesmv.shtml>

 

“Crabs not only suffer pain, but retain memory of it.”
ScienceDaily; 28 de março de 2009;
<http://www.sciencedaily.com/releases/2009/03/090327072759.htm>

 

“Further evidence crabs and other crustaceans feel pain.”
Rebecca Morelle, BBC News; 17 de janeiro de 2013;
<http://www.bbc.co.uk/news/science-environment-21044077>

 

“Contando os últimos peixes.”
Daniel Pauly e Reg Watson; Scientific American Brasil; 2012;
<http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/contando_os_ultimos_peixes.html>

 

“3 razões para não comer animais marinhos.”
PETA; 4:25 min.
-
Copyright © Onca 2009-2013

 

 

 

 

 

 

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