Libertação Animal

Perguntas freqüentes sobre vegetarianismo

O que é o vegetarianismo?

O vegetarianismo é um regime alimentar que exclui da nossa alimentação os produtos animais. Existem várias razões pelas quais as pessoas podem optar por uma alimentação vegetariana, sejam elas razões de saúde, religiosas, espirituais, de respeito aos animais, preservação ambiental, etc.

Porque ser vegetariano?

O consumo de produtos animais como carnes, ovos e leite animal é responsável pelo sofrimento e morte de bilhões de animais anualmente no mundo todo. Além disso, a pecuária (a criação de animais) é a principal causa de desmatamento no Brasil e no mundo, de poluição de rios até mesmo de poluição atmosférica. Assim, uma vez que existe alternativa saudável e benéfica e que evita o sofrimento e morte de milhares de animais e a degradação ambiental, não há porque não adotar tal prática.

A alimentação vegetariana pode trazer algum risco à saúde?

Não. Ao contrário, a dieta vegetariana é viável em qualquer fase da vida e previne doenças como o infarto e vários tipos de câncer, ligados diretamente ao consumo dos produtos animais, como carnes, leite animal e ovos.

Crianças e mulheres em gestação não precisam consumir carne ou leite animal?

Não. Não há nenhum componente presente na carne, ovos ou no leite animal que não seja encontrado nos outros alimentos. Estudos demonstram não apenas que numa alimentação vegetariana o desenvolvimento do feto é normal e adequado, como especialistas chegam a desaconselhar a ingestão de produtos animais pela mãe durante a gravidez.

O que me preocupa é a fome/ guerra/ drogas/ desemprego/ trabalho infantil/ abandono de animais domésticos. O vegetarianismo é pouco importante.

Estas questões são, de fato, importantes e cada um deve fazer o máximo para mudá-las. A diferença é que, enquanto outras ações individuais têm pouco poder de alterar certas situações, o vegetarianismo está ao alcance de todos, sem que interfira em qualquer outra causa social. Ou seja, livrar do sofrimento animais não lhe custa nem tempo nem dinheiro e não interfere em qualquer outra causa social.

Faz diferença eu ser vegetariano?

Faz grande diferença. Para você ter uma idéia, cada pessoa que consome carne é responsável, durante sua vida, pela morte de cerca de 4 a 7 mil animais. Mesmo que já tenha consumido uma parte disso, você ainda pode salvar da morte milhares de animais. Galinhas poedeiras e vacas leiteiras vivem anos em sofrimento para que continuem “produzindo”. E quando passam a produzir menos, são enviadas ao matadouro.

Mas, o Homem não é por natureza carnívoro?

Não. A fisiologia humana é claramente a de uma espécie frugívora/ herbívora (dieta baseada em fruta e vegetal): sistema digestivo, dentes, estrutura mandibular, funções do corpo, etc, são completamente diferentes das de animais carnívoros. Portanto, a carne é um “elemento estranho” ao corpo humano. O organismo humano, por exemplo, não possui as substâncias digestivas para a carne, como possuem os carnívoros. Devido à isso, a carne pode passar mais de 80 horas se decompondo no intestino. O leite animal, de igaul forma: o ser huamno é o único animal que, contrariando sua própria natureza, após a infância continua consumindo leite -e pior, de um animal de outra espécie!

Mas, os animais nas granjas e fazendas não são bem tratados?

As imagens nos comerciais de tevê que mostram franguinhos ou vaquinhas felizes são falsas. Mesmo nas chamadas grandes empresas, os animais vivem em constante sofrimento: espaços minúsculos, confinamentos inadequados, têm seu comportamento alterado, sofrem violência física, etc. A questão mais importante, no entanto, é que ainda que fossem bem tratados, não existe o que justifique suas morte.

Os animais, de fato, sentem dor ou sofrem?

Os animais, assim como os humanos, são dotados da capacidade de sofrer porque possuem um sistema nervoso central. Atualmente não há dúvidas quanto a isso: como nós, eles são capazes de criar laços afetivos, sentir alegria, ansiedade, medo e dor. Estudos mais antigos como os realizados pelo naturalista e biólogo Charles Darwin, quanto outros mais recentes confirmam esses fatos.

Então devemos comer peixes/ crustáceos/ moluscos/ caracóis? Eles não sofrem tanto.

Estudos científicos exaustivos já da década de 1970 mostram que estes animais -peixes, lagostas, camarões, caracóis, etc- são também capazes de sentir dor e desejo igualmente aos mamíferos.

E as plantas… não sofrem?

Apesar de responder a certos estímulos exteriores, que podem levar a alterações no seu desenvolvimento ou crescimento, as plantas não sofrem nem possuem a capacidade de criar expectativas, nem de desejar não morrer. Elas não possuem qualquer centro de organização de informação (o cérebro) como os animais e não há provas científicas de que sofram.

Se os animais comem outros animais, porque eu não deveria comer?

A grande diferença é que animais carnívoros possuem uma fisiologia de hábito carnívoro. Ou seja: um leão, por exemplo, não sobreviveria se alimentando de vegetais ou frutas. O ser humano, ao contrário, que possui fisiologia de ser frugívoro/ herbívoro, não necessita de carne para sua sobrevivência nem do leite animal de uma outra espécie.

Os animais são criados para os comermos!

Assim como o fato de se criar pessoas em de trabalho-escravo, por exemplo, não anula as necessidades básicas delas, o fato de um animal ser criado com um objetivo de ser morto não altera a sua capacidade biológica de sofrer e de desejar não morrer. Não existe qualquer argumento que justifique que o ser humano tenha direitos sobre a vida de qualquer animal.

Não estão os humanos no topo da cadeia alimentar? São predadores.

O fato de seres humanos terem condições de dominar e criar animais para matá-los não significa que tenham direito a isso, da mesma forma que um patrão manter pessoas sob escravatura ou crianças em trabalho infantil também não lhe dá razão para tal prática.

Mas a alimentação vegetariana traz, de fato, benefícios à saúde?

Estudos comprovam que a alimentação vegetariana dá mais resistência física, mais disposição, e melhora o humor e o desempenho sexual. Além de, como já dito, reduzem consideravelmente o infarto, 6 tipos de câncer (como o câncer de estômago, mama, próstata), obesidade, diabetes, doenças renais, etc.

Se eu não comer carne não vou ingerir proteínas/ ferro/ calorias suficientes e posso ficar doente.

Isso não é verdade. Não há nenhum componente presente na carne que não seja encontrado nos outros alimentos. Por exemplo, uma mesma quantidade de feijão, substitui o valor de proteínas encontradas na carne. Aliás, abster-se de carne é recomendada para a prevenção de inúmeras doenças.

Que malefícios estão ligados ao consumo da carne?

Por exemplo, estudos apontam que pessoas que consomem carne têm até um risco 88% maior de ter câncer de intestino, homens têm até 54% mais chances de ter câncer de próstata e mulheres, até 64% de apresentar câncer de mama. Segundo a Associação Médica Americana (AMA) até 97% dos casos de infarto estão ligados à ingestão de carne. Também estão relacionados à carne alterações hormonais, perturbações menstruais, a esterilidade, a impotência sexual masculina, entre outras.

Por que a carne pode causar tantos males assim?

Para acelerar a engorda e o abate, os animais recebem injeções de hormônios, além de antibióticos, sedativos, estimuladores de apetite. Além disso, corantes e conservantes como nitritos e nitratos são comprovadamente cancerígenos. Apesar de altamente maléficas, essas substâncias não são proibidas pelo simples fato de que não há outra forma de impedir o apodrecimento da carne que, afinal, nada mais é, do que um cadáver -o corpo de animal morto.

Mas, se os produtos de origem animal causam males à saúde, porque o Governo não alerta sobre seu consumo?

Por uma razão simples: o Governo lucra com os impostos gerados pelas indústrias de carne e, muitos políticos são donos de grandes fazendas. Assim como durante décadas o Governo permitiu a venda de cigarro sem informar a população dos males deste, continua fazendo o mesmo com a carne, o leite animal e os seus derivados.

E a mídia, porque não divulga esses dados?

Diversos anunciantes de canais de televisão, jornais e revistas são grandes empresas produtoras de carnes, leite e outros produtos de origem animal. A mídia serve apenas aos interesses de seus anunciantes e não querem perder a conta mês a mês garantida por estas empresas. O máximo que se ouve nos meio de comunicação é que “se reduza o consumo de carne”, ou coisas assim, sempre abordando o assunto de forma superficial.

O vegetarianismo traz benefícios à sociedade também?

O vegetarianismo contribui diretamente para a preservação do planeta. Por exemplo, a principal causa de desmatamento no Brasil e no Mundo é para a criação de gado, como também a poluição de rios. Outro benefício é contra a fome: no Brasil, mais da metade da água potável e mais de 50% dos grãos plantados são destinados ao gado. O alimento dado ao gado do planeta alimentaria hoje mais de 9 bilhões de pessoas -quando no globo não temos mais do que 6,6 bilhões de pessoas.

Eu gosto de comer carne/ beber leite. É muito difícil deixar a carne/ leite.

Já experimentou um dia ou uma semana sem carne? Uma semana sem leite animal? Vai ver quão saudável é! Você vai perceber que, ao contrário do que comumente se pensa, a carne não tem sabor algum. O que as pessoas acreditam ser o gosto da carne é, na verdade, o do sal, alho, cebola e outros condimentos. O ser humano é o único que precisa disfarçar a carne para comê-la. Se não, não suportaria ingerí-la. É também o único animal que contraria sua natureza e continua mesmo adulto se alimentando de leite -e pior: do leite de uma animal de outra espécie!

O vegetarianismo é bom para quem não gosta de carne/ leite/ ovos. Eu acho que não me adaptaria.

O vegetarianismo ético não tem absolutamente nada a ver com gostar de carne ou não, ou gostar ou não de leite. Ainda que, inicialmente para alguns a mudança possa significar esforço, a escolha é tomada pelo princípio de que ninguém tem o direito de fazer sofrer ou tirar a vida de outro ser quando isso é desnecessário e quando há uma alternativa.

Uma alimentação vegetariana, já que exclui a carne, não tem menos diversidade do que uma alimentação com carne?

Ao contrário. A alimentação vegetariana recorre a uma variedade de alimentos que não chegam a ser explorados numa alimentação não-vegetariana.

Os vegetarianos não são pessoas pálidas e apáticas?

Esse era um mito antigo comum. Hoje, sabe-se que isso não é verdade. Inúmeros atletas campeões mundiais, por exemplo são vegetarianos. Ainda os que não o são, descartam a carne e produtos animais nos períodos de competição.

Mas o animal já está morto. Eu não matei nada, só comi.

Ainda que não o tenha morto, deu o seu dinheiro para o matar. Apesar de o animal morto já não sofrer mais, ao financiar esse negócio, está fazendo com que outros animais sofram em seguida, pois, com esse dinheiro o comerciante vai poder matar outro animal para substituir o que acabou de levar. E mesmo nos casos em que são mantidos vivos para produzir, como o de leite e ovos, os animais sofrem ainda mais que na indústria da carne. Por exemplo, enquanto uma galinha para abate é morta em 45 dias ou menos, uma galinha poedeira, sofre em média 4 ou 5 anos e uma vaca leiteira chega até ao dobro disso. E quando passam a produzir menos, têm o mesmo destino dos animais de “corte”, enviados ao matadouro e depois vendidos como carne barata.

E seu eu, então, comer menos carne?

A questão não é “comer menos”, mas “não comer”. Pois, ainda que se deseje um pequeno pastel de carne, um boi todo terá que ser sacrificado. Comer menos significará que menos animais serão mortos, mas que ainda continuarão a serem mortos. Leite, ovos, lã, couro ou outros produtos de origem animal da mesma forma: mesmo uma mínima quantia significa que animais foram submetidos ao sofrimento e depois ao descarte. Não há necessidade da exploração da vida animal quando existem alternativas de mesma ou melhor qualidade.

A indústria da produção animal dá emprego a muita gente.

Ao contrário: segundos dados oficiais da Organização Internacional do Trabalho, atualmente 80% do trabalho escravo hoje no Brasil está nas mãos da produção animal -carne, leite, ovos, lã, etc. O que, de fato, em termos numéricos, gera emprego no campo é a agricultura familiar, que responde por 70% do abastecimento alimentar no país.

Um animal irracional não tem direitos porque não tem deveres.

Mesmo que de um ponto de vista jurídico os animais não possuam direitos, os seres humanos não possuem o direito de explorar ou provocar sofrimento desnecessário em seres que sentem dor, sofrem, criam laços afetivos e têm o desejo de não morrer.

A alimentação vegetariana é mais cara?

Não. Esse é um outro antigo mito. Na verdade, a alimentação vegetariana comumente custa muito menos que a baseada em carne. Casas de produtos naturais e quitandas vendem alimentos a granel e, normalmente são os produtos animais (como as carnes ou leite) que mais elevam o custo da cesta básica.